• Viviane Massi

Novembro Azul na farmácia: teste de PSA é simples, rápido e seguro, com resultado em 10 minutos

O câncer de próstata é o tumor mais frequente no homem, excluindo-se o câncer de pele não melanoma. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são esperados 65.840 novos casos para 2021, porém muitos podem nem ter sido diagnosticados.


Dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) do Ministério da Saúde, obtidos pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), mostram que a mortalidade por câncer de próstata aumentou cerca de 10% em cinco anos, subindo de 14.542 (2015) para 16.033 (2019).


Somente no Brasil, em 2020, 30% dos casos de câncer masculino foram de próstata, segundo levantamento do INCA. Mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.


Entenda o câncer de próstata


O diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Roni Fernandes, explica que o câncer de próstata é o tumor que afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga, e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis.


Nas fases iniciais, quando em 90% dos casos pode ser curado, não apresenta sintomas. Ao apresentá-los, o câncer já está em uma fase mais avançada e pode causar vontade de urinar com frequência e presença de sangue na urina ou no sêmen.


O especialista conta que os principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença são histórico familiar de câncer de próstata em pai, irmão ou tio, homens negros e obesidade.


A recomendação da SBU é que os homens, a partir de 50 anos, e mesmo sem apresentar sintomas, devam procurar um profissional especializado para avaliação individualizada, tendo como objetivo o diagnóstico precoce do câncer de próstata.


A médica Karin Anzolch, membro do departamento de comunicação da SBU, alerta que os homens que integram o grupo de risco devem começar seus exames mais precocemente, a partir dos 45 anos. Após os 75 anos, a recomendação é que somente homens com perspectiva de vida maior do que dez anos façam essa avaliação.


Prevenção ainda é o melhor tratamento


Um em cada 41 homens morrerá de câncer de próstata. É o que afirma o andrologista e urologista do Hospital Materdei, em Belo Horizonte/MG, Yuri Lobato. “Isso é alarmante, pois não é um tumor muito agressivo, na grande maioria dos casos. Essas mortes se devem a não adesão dos pacientes à prevenção correta, como está sendo divulgada agora no Novembro Azul”.


Ainda segundo Yuri, por se tratar de um câncer, em geral, não muito invasivo e pouco agressivo, se descoberto precocemente, o tratamento é eficaz. “Hoje existem várias modalidades de tratamento, desde a vigilância ativa, que consiste em não operar e acompanhar o tumor periodicamente, até cirurgia e radioterapia”, exemplifica.


O médico de família e comunidade do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, capital, Domingos José Vaz do Cabo, explica que não existe exame que previna o câncer de próstata, já que tanto o exame de sangue (conhecido como PSA) como o toque retal, quando alterados, indicam a evolução da tumoração. “Por isso, eu diria que a melhor forma de prevenção seria o autocuidado que passa pela percepção de como se encontra a qualidade de vida do paciente ao urinar, por exemplo”, orienta.


De acordo com Domingos, a Academia Americana de Urologia desenvolveu o Escore Internacional de Sintomas Prostáticos, para identificar pacientes com indicativo de câncer de próstata. O questionário traz perguntas como quantas vezes o paciente tem se levantado à noite para ir ao banheiro ou se faz ou não esforço para urinar, força e velocidade do jato urinário, entre outras.


“Por meio de uma pontuação dada pelo médico, poderemos inferir, com precisão, se o homem está ou não em risco de ter uma tumoração de próstata, que pode ou não ser um câncer, e assim pedir os exames de sangue e imagem e proceder ao toque retal com mais assertividade”, explica o médico.


Teste de PSA: diagnóstico precoce de câncer de próstata


O câncer da próstata pode ser identificado com a combinação de dois exames: dosagem de PSA e toque retal. A biomédica e assessora científica na ECO Diagnóstica, Marcella de Paula Martins, explica que o teste de PSA (Antígeno Prostático Específico) feito em farmácias é simples, rápido e seguro para o paciente.


Segundo Marcella, a coleta é capilar (feita na ponta do dedo com algumas gotas de sangue), o resultado é liberado em 10 minutos, a metodologia utilizada é a imunofluorescência e o teste possui registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao final do atendimento, o paciente recebe o laudo que deverá ser encaminhado ao médico urologista de confiança para que seja avaliado juntamente com os achados clínicos.


O teste mensura a concentração de PSA no sangue do paciente. “A concentração elevada do PSA pode indicar desde condições benignas como inflamação da próstata (prostatite) ou hiperplasia nodular de próstata até condições mais graves, como câncer de próstata. Qualquer atrito nessa glândula pode elevar essa concentração e, por isso, a investigação é importante”, destaca Marcella.


O PSA é usado principalmente para rastreamento do câncer de próstata em homens assintomáticos. A biomédica ressalta ainda que um resultado isolado não indicará presença de células malignas. “Logo o médico avaliará o resultado correlacionando-o com a clínica do paciente, além de solicitar exames complementares, assim como toque retal e, se necessário, biópsia”.


A importância da dosagem de PSA é auxiliar no diagnóstico precoce de câncer de próstata e pode ser realizado em pacientes do grupo de risco (acima de 50 anos e/ou com histórico familiar do tumor), sejam eles sintomáticos ou não.


Para interpretar os resultados, o farmacêutico deve considerar os seguintes parâmetros: <4 ng/mL, indica que a quantidade de PSA na amostra de sangue está dentro da normalidade; >4 ng/mL, indica alteração e que, portanto, o paciente deve procurar um médico.


“É sabido que as chances de cura são maiores quando a doença é detectada em estágio inicial, favorecendo o prognóstico. Portanto, realizar o teste também é uma forma de prevenção, aliando essa conduta com bons hábitos de saúde, tais quais dieta balanceada, atividade física frequente, não fumar, entre outros”, reforça Marcella.


Vantagens do teste de PSA para a farmácia e para a população


De acordo com a biomédica Marcella, são várias as vantagens: para realizar o teste não é necessário pedido médico, o procedimento é feito por um profissional treinado/capacitado, o resultado é liberado em poucos minutos e o paciente leva o resultado para o médico na primeira consulta, agilizando o processo.


“Para a farmácia oferecer o teste de PSA, é preciso possuir AFE (Autorização de Funcionamento do Estabelecimento) e uma sala para atendimento de acordo com as diretrizes da Vigilância Sanitária local. Não é necessária estrutura laboratorial, o armazenamento e o transporte do kit são feitos em temperatura ambiente e o custo-benefício é rentável”, pontua.


Vale destacar que não existe uma RDC específica da Anvisa para testes rápidos em farmácias. No entanto, a farmácia pode oferecer esse serviço vinculada a um laboratório clínico, conforme a RDC 302/2005. Sugere-se também ter um CNAE de serviços de saúde, que vai ajudar na emissão de notas fiscais de serviço. O CNAE é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas.


Por fim, a biomédica acrescenta que cuidar da saúde do paciente gera grandes impactos na vida dele e uma consulta de qualidade acarreta fidelização do cliente e, consequentemente, favorece o ticket médio da farmácia.


Atuação multiprofissional


A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) considera a atuação multiprofissional muito importante, tanto que firmou um acordo de cooperação técnica com o Ministério da Saúde em prol da saúde do homem.


“A SBU vai treinar profissionais da Atenção Primária de Saúde para identificar problemas que devam ser encaminhados ao especialista, portanto essa ação multiprofissional é muito relevante”, afirma Karin, do departamento de comunicação da SBU.


O urologista Yuri Lobato comunga dessa relevância, pois, para ele, o câncer de próstata gera um grande estigma na cabeça do paciente. “No diagnóstico e no tratamento, o paciente precisa do apoio da psicologia, por exemplo, porque apesar de ser uma doença muitas vezes não agressiva, pode fazer com que se desenvolvam quadros de ansiedade e depressão associados ao diagnóstico da neoplasia de próstata”, aponta.


Para o médico de família e comunidade Domingos José Vaz do Cabo, qualquer profissional da Atenção Primária de Saúde, como enfermeiro, nutricionista, psicólogo ou farmacêutico, diante dos sintomas, pode alertar este homem sobre as possibilidades de, eventualmente, ter um tumor de próstata e, de forma adequada, direcioná-lo a um médico de família para o correto diagnóstico.


“Quando o homem busca o consultório farmacêutico para a orientação de algum medicamento que auxilie, por exemplo, em dificuldades ao urinar, o farmacêutico, atento às possibilidades, poderia fazer algumas perguntas básicas e, em caso suspeito, direcionar adequadamente ao médico de família, para a complementação com exames diagnósticos”, orienta.


Para Domingos, a atuação preventiva, alertando esses homens sobre os riscos potenciais de adoecimento, acolhendo suas fragilidades e demandas, seria de grande impacto ao estimular nos homens o processo do autocuidado de que tanto necessitam.


O alerta do Novembro Azul


Apesar de as preocupações e os cuidados com a saúde não devam se limitar a apenas um período do ano, o Novembro Azul é a oportunidade de dar maior espaço e visibilidade à causa. “Portanto, nosso pedido é que os homens não deixem de visitar o médico e cuidar da saúde, pois algumas doenças, como o câncer de próstata não apresentam sintomas, e quanto antes forem tratadas, maiores serão as chances de cura e de retomada dos momentos de alegria ao lado da família, amigos e pessoas queridas”, atenta Roni, da Sociedade Brasileira de Urologia.


A SBU convida também a acessar o site e as redes sociais do Portal da Urologia, que estão sendo alimentados constantemente com informações sobre a saúde do homem.

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